quinta-feira, 8 de novembro de 2007

"A Promessa" - Fotos

Hoje, e no seguimento do post de ontem, deixo-vos algumas recordações de dois anos de teatro :)

Aqui ficam as fotos da primeira peça em que participei, em Dezembro do ano passado (no primeiro ano não fizemos peça, apenas demos apoio ao grupo “dos mais velhos”).

O meu encenador estava a trabalhar com um outro grupo, para além do nosso, na Povoa de Santa Iria. Devido a falta de elenco, convidou alguns dos alunos de Lisboa para participar. Como faltava alguem para fazer uma velha, ele lembrou-se logo de mim :)




Ao rever as fotografias não só me emociono como concluo: não houve uma única peça que me favorecesse a aparência!

N’”A Promessa” fazia de velha coscuvilheira e comilona. Na verdade, passava a peça inteira a comer.





Apesar de ter um papel pequeno, foi um desafio. Para mim, que tive de encarnar alguém muito mais velha que eu (a parte da comida foi fácil). Para o meu colega que me fazia a maquilhagem, para me por velha. Para a figurinista, para me por velha…

Mas resultou. Muitos amigos não me reconheciam e muitos espectadores, pelo menos os que ficavam lá atrás, não notavam que eu era uma rapariga nova.





Nesta última, sou a velha que está a atacar as bolachas.

Foi uma experiência muito curiosa, mas também gratificante, trabalhar com um grupo composto, na sua maioria, por pessoas mais velhas que eu (ou menos novas :) )




Na foto anterior podem ver-me com a boca cheia de bolachas. Eu e as outras "velhas" tinhamos de falar várias vezes com a boca cheia e nunca sabiamos muito bem como aquilo ia sair.

Numa das cenas, certa vez, eu perdi uma soca. Um amigo meu caiu em cena e, durante o tempo que a peça teve em exibição, partiu 3 estátuas da virgem maria.





Revelando mais alguns segredos de bastidores (mas poucos), o sangue de uma das personagens era feito com o velhinho truque do ketchup. era eu quem lhe punha o ketchup no peito e passavamos os dois o resto da peça a cheirar a MacDonald's




O senhor que fazia de padre baralhava frequentemente as falas e uma vez falhou uma deixa. O meu colega, sem a deixa, não se apercebeu que era ele a falar. então, a meio da peça o senhor vira-se para ele e diz: "Fala Zé!"






Aqui fica a última, já do fim do espectáculo. As velhas estão à esquerda e eu sou a do meio. Foi um bom começo :)

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Melancholic State Of Mind

"The years shall run like rabbits,
For in my arms I hold
The Flower of the Ages,
And the first love of the world.

But all the clocks in the city
Began to whirr and chime:
"O let not Time deceive you,
You cannot conquer Time."

In the burrows of the Nightmare
Where Justice naked is,
Time watches from the shadow
And coughs when you would kiss.

In headaches and in worry
Vaguely life leaks away,
And Time will have his fancy
Tomorrow or today."


As I Walked Down One Evening
W.H.Auden



Ontem tomei uma decisão difícil. Depois de ponderar sobre o meu tempo e energia (ou falta deles), decidi, ao fim de quase dois anos, sair do meu grupo de teatro. Com um trabalho a full time, aulas três vezes por semana e os muitos trabalhos a que o curso obriga, concluí que sair era a solução mais sensata. E pensei que me ia sentir aliviada quando o fizesse.

Fui um bocadinho inocente.

O meu professor/encenador não só compreendeu como ele próprio me disse que seria praticamente impossível conciliar tudo. Não agora, que há ainda poucos ensaios. Mas daqui a dois meses os ensaios vão intensificar e já conheço o método de trabalho. Ensaios todas as noites, até à uma, duas, três, quatro da manhã…
Racionalmente, sei que não iria aguentar e ia acabar por não fazer um trabalho decente em nenhum dos lados.

Não seria justo para mim nem para as pessoas com quem lido nos diversos projectos em que estou neste momento.

Este é o lado racional.

O lado emocional é que é o problema.

O encenador disse-me, na brincadeira: “ Agora que não estás connosco tens uma vida cinzenta”. Não é inteiramente verdade. Tenho outras alegrias, outras paixões, outros projectos. Mas sem dúvida que vai ficar um bocadinho mais cinzenta. Custa pensar que tenho de ter tempo para vir todos os dias para aqui trabalhar mas não consigo ter tempo para fazer uma das coisas de que mais gosto. É este o meu futuro?

E é esse lado emocional que me faz pensar: “se calhar até consigo fazer tudo isto”, “se calhar não vou sair já”… “Estou a ser sensata ou preguiçosa?”

Porque ontem saí de lá com um nó no estômago. Pelos ensaios que me dão cabo da cabeça e dos nervos. Pela ansiedade das estreias. E de todos os espectáculos que se lhe seguem. Pelos bastidores. Pelo momento em que temos aquele bocadinho palco para nós. Pela cumplicidade entre colegas que o público nunca conhecerá. Pelas discussões com o encenador que, passado algum tempo, parecem tão ridículas. Pela tristeza do último espectáculo e do desmontar de uma peça de que já estávamos todos fartos. Pela velha comilona, pela mulher do campo e a empregada fantasma que habitei durante uns tempos. Pelos amigos.

Esses ficam mas vão viver momentos deles, de que eu já não vou fazer parte. E há também os que vão pois na minha visita de ontem fiquei a saber que um dos meus amigos mais próximos vai trabalhar para o estrangeiro ( se bem que, vendo as coisas pelo lado positivo, já tenho casa em Barcelona).


Sou livre de voltar para lá quando quiser, a porta ficou aberta, escancarada mesmo. Mas e se no próximo ano também não puder?

É o fim de uma Era.



PS- A gerência do blog promete recuperar a compostura em breve e retomar a sua pose snob e irónica em breve

PS1- se quiserem ler o poema todo, basta escreverem no google “As I walked Down One Evening” que aparece logo no início.

terça-feira, 6 de novembro de 2007

Uma pequena história

Uma colega minha do curso de Produção está grávida (e é africana, não sei se isso terá ditado o desenrolar dos acontecimentos ou não). Ontem, chegou algo abatida às aulas.

Contou-nos então a seguinte história: foi ao banco depositar dois cheques e, segundo o que nos disse, não se estava a sentir bem. Explicou a situação a uma senhora que estava à frente dela e perguntou-lhe se poderia passar à frente. A dita senhora terá respondido que estava com muita pressa porque ia trabalhar e não lhe deu o lugar.

A minha colega foi então ao balcão perguntar se tinham serviço de atendimento prioritário, ao que a funcionária respondeu que não, mas que estava no bom senso de cada um fazer o que achava correcto.

Perguntou então a outra senhora que estava numa outra fila se poderia ceder-lhe o lugar. A senhora nº 2 terá respondido: “ É realmente uma questão de cada um ter bom senso e a senhora tem de compreender que já estou aqui há muito tempo”. E não lhe cedeu o lugar.

Foi então para o fim da fila e ainda terá ouvido a funcionária e uma cliente comentar a “falta de chá”. Ela acabou por pedir o livro de reclamações.

Não sei que pedaços da história são verídicos ou não. E conheço casos de pessoas que abusam um pouco dos seus direitos. Por exemplo, uma amiga minha levou propositadamente a filha bebé quando foi tratar do BI, só para passar à frente (quando podia tê-la deixado com os avós, o que teria de certeza sido bem mais confortável para a bebé.). Outra disse na Expo98 que estava grávida para não ter de estar na fila.

Agora, eu própria já presenciei cenas bastante infelizes em transportes públicos, seja com grávidas, deficientes ou idosos e não me custa a acreditar que isto tenha acontecido.

Tirem as vossas ilações... (eu deixo)

segunda-feira, 5 de novembro de 2007

também comem criancinhas ao pequeno-almoço

No passado Sábado fui ver a exposição do Hermitage no Palácio da Ajuda. (Já viram como o meu fim de semana foi culto? E ontem ainda fui ao teatro! Só assim para continuar a dar uma de intelectual).

No geral, achei a exposição decepcionante. Muita gente, muitos serviços de loiça, muitos retratos de Czares e muito pouca contextualização histórica.

Agora, houve um episódio que compensou em parte a decepção.

Estava eu a ver uma fotografia dos últimos Romanov quando se aproximam duas senhoras já de uma certa idade. É então que oiço a seguinte conversa:

Senhora 1, quase sussurrando: “Este são aqueles ( a mim até me pareceu que ela disse “estes são os judeus” mas devo ter ouvido mal… era demasiado surrealista para ser verdade) que foram mortos pelos comunistas ……….. os VERMELHOS!”

Senhora 2, levantando a voz: “São muito maus!”


Demasiado delicioso para não partilhar.

Fábrica de Braço de Prata - ou o refúgio dos intelectuais como nós ;)

Há umas semanas li uma reportagem que falava de algumas pérolas por descobrir em Lisboa. Cinco ou seis locais que combinam entretenimento e cultura (nalguns dos casos, cultura “alternativa” ou “underground”).

Espero vir a explorá-los a todos, mesmo os mais “arrojados” (um deles, por exemplo, pertence a um casal que, de vez em quando, abre as portas de casa e faz performances para quem quiser aparecer).

Depois de estudar as várias opções, decidi começar pelo espaço que me pareceu mais interessante e que, curiosamente, fica num dos locais mais improváveis de Lisboa: Braço de Prata. Aliás, ontem estava a falar disto a uma amiga minha, que me perguntou: “isso não é uma estação de comboios?” :) Também é, tens razão mas a estação eu não recomendo...

Recomendo, isso sim, a Fábrica de Braço de Prata. O edifício foi construído em 1908 para ser uma fábrica de material de guerra. Agora, a Eterno Retorno e a Ler Devagar transformaram-no numa grande livraria (que é muito mais do que isso).

Aqui, podem encontrar várias salas (penso que quando o projecto estiver totalmente concluído serão 12), com diversas temáticas. Podem assistir a concertos, exibições de filmes, ler à vossa vontade, comprar livros (alguns a preços bastante acessíveis) ou assistir a lançamentos, jantar ou simplesmente tomar um café com os amigos (eu só bebo água, Miguel).

O espaço é enorme e muito confortável, cada uma das salas tem uma decoração própria, pelo que podem escolher aquela que vos agrada mais. A música está baixa, o que significa que dá para ter uma conversa decente. Mesmo quando há concertos, pois estes realizam-se numa das salas à porta fechada, e se escolherem outra conseguem ouvir; dá uma boa música ambiente. Ah, e não há lugar para bebedeiras ou confusões, o que é uma raridade nos dias que correm (pareço uma velha a falar, mas uma velha culta!).

Enfim, caros leitores, visto que vos considero pessoas interessantes e interessadas (caso contrário não teriam recebido o link do blog), penso que este será um espaço do vosso agrado.

Visitem-no antes que se torne moda e perca metade do seu charme.

www.bracodeprata.org

Pergunta do dia...

Quando é que as pessoas começam a perceber que se têm um rato de infravermelhos não podem por um tapete cheio de desenhos por baixo?

Depois dizem que não funciona bem e não acreditam em mim quando digo que pode ser do tapete: "aaaah, não tires o tapete do rato que depois fica sujo e prende!!!".

E não vale a pena argumentar que se é de infravermelhos, não tem esfera. E se não tem esfera, não fica sujo. E se não fica sujo, não prende. O que prende é o raio do tapete com as cornucópias que puseram por baixo e que baralha o rato todo!

E depois ainda poem tapetes no MEU rato.

Desculpem o desabafo. A semana promete... :)

sexta-feira, 2 de novembro de 2007

Ainda os livros...

Estou neste momento a acabar de ler um livro (O tal amachucadinho. É quase poético estarmos no Outuno e ver as folhas do livro, também acastanhadas, caírem e deslizarem suavemente pela rua ). Como não gosto de correr o risco de ficar sem nada para ler a meio da viagem de comboio, nestas alturas costumo andar carregada com dois.

Curiosamente, o próximo que vou ler (O Fantasma de Hitler, do Norman Mailer) continua a explorar a temática do holocausto e do Nazismo.

Já estou a imaginar os comentários da minha colega, por entre um e outro gole de café: “Esta além de intelectualóide, é Nazi”.