Um stand automóvel e uma empresa de concessão de crédito pretendiam oferecer uma vacina contra o Cancro do Colo do Útero (HPV) na compra de um carro, mas o INFARMED cancelou a promoção por publicitar ilegalmente um medicamento sujeito a prescrição médica.
Em causa estavam as campanhas publicitárias à iniciativa do stand de automóveis Auto Motriz e da empresa de concessão de crédito Credibom, que se iniciaram no passado fim-de-semana em várias rádios, caixas multibanco, jornais e revistas especializadas do ramo automóvel.
Em resposta às questões da agência Lusa, a Autoridade Nacional do Medicamento (INFARMED) indicou que, depois de tomar conhecimento do caso e desenvolver várias diligências notificou as entidades envolvidas para a "cessação imediata, a título cautelar" da actividade de publicitação ilegal.
sexta-feira, 23 de novembro de 2007
quinta-feira, 22 de novembro de 2007
A enxaqueca (II): o desabafo
Esta tem sido uma semana para esquecer em termos de dores de cabeça. Desde segunda feira que sinto a dor a estalar e a avisar-me: “vou aumentar ao ponto de te incapacitar, pelo menos por um dia”.
Ao fim de vários anos a sofrer de enxaquecas, começamos a ter um sexto sentido para estas coisas. Se bem que há sempre a enxaqueca-surpresa, que aparece do nada, quando menos se espera.
Mas esta foi uma semana típica para crise de enxaqueca: ando cansada, a comer mal e com muito stress e ansiedade no trabalho. Era de ver que ela vinha aí… outra vez.
A ultima deixou-me de cama a vomitar. A melhor maneira que eu tenho para explicar a dor em si é imaginarem que o vosso cérebro inchou e não cabe no vosso crânio. Juntem a isto a sensação de uma mão a apertar um dos vossos olhos. Há ainda o peso de dois quilos que sentem a cair para a frente quando baixam a cabeça.
O problema é que, regra geral, as pessoas que não sofrem de enxaquecas não percebem o nível de dor que isto pode atingir. Quando tive essa enxaqueca estava a trabalhar como assistente de produção e acho que a produtora só acreditou em mim quando me viu cair redonda (ou, vá, esbelta) no chão.
Aqui onde estou agora, mostram-se compreensivos mas não percebem muito bem porque é que não estou a conseguir somar dois mais dois.
A nível pessoal, acaba por ser um fenómeno mesmo muito incapacitante e até propenso a momentos depressivos.
Neste momento trabalho a tempo inteiro e tenho aulas à noite três vezes por semana, como tantas outras pessoas, e sinto que não estou a aguentar como devia. Sinto que devia ser capaz de fazer isto com mais energia em vez de me andar a arrastar até às aulas.
Acaba por ser um fenómeno um pouco destrutivo para a auto-estima e sinto também que me torna numa pessoa um pouco difícil de lidar nestas alturas, pois fico muito queixosa.
Por outro lado, sinto-me uma autêntica viciada em analgésicos. E irrita pensar que, mesmo tendo cuidado com a alimentação e as horas de sono, possa ter uma crise a qualquer altura.
Desculpem o desabafo, mas estava a precisar e esta até pode ser uma maneira de perceberem melhor o meu estado de espírito nestas alturas.
E parece que tenho mesmo de comer menos chocolate, só faltava mais essa.
Ao fim de vários anos a sofrer de enxaquecas, começamos a ter um sexto sentido para estas coisas. Se bem que há sempre a enxaqueca-surpresa, que aparece do nada, quando menos se espera.
Mas esta foi uma semana típica para crise de enxaqueca: ando cansada, a comer mal e com muito stress e ansiedade no trabalho. Era de ver que ela vinha aí… outra vez.
A ultima deixou-me de cama a vomitar. A melhor maneira que eu tenho para explicar a dor em si é imaginarem que o vosso cérebro inchou e não cabe no vosso crânio. Juntem a isto a sensação de uma mão a apertar um dos vossos olhos. Há ainda o peso de dois quilos que sentem a cair para a frente quando baixam a cabeça.
O problema é que, regra geral, as pessoas que não sofrem de enxaquecas não percebem o nível de dor que isto pode atingir. Quando tive essa enxaqueca estava a trabalhar como assistente de produção e acho que a produtora só acreditou em mim quando me viu cair redonda (ou, vá, esbelta) no chão.
Aqui onde estou agora, mostram-se compreensivos mas não percebem muito bem porque é que não estou a conseguir somar dois mais dois.
A nível pessoal, acaba por ser um fenómeno mesmo muito incapacitante e até propenso a momentos depressivos.
Neste momento trabalho a tempo inteiro e tenho aulas à noite três vezes por semana, como tantas outras pessoas, e sinto que não estou a aguentar como devia. Sinto que devia ser capaz de fazer isto com mais energia em vez de me andar a arrastar até às aulas.
Acaba por ser um fenómeno um pouco destrutivo para a auto-estima e sinto também que me torna numa pessoa um pouco difícil de lidar nestas alturas, pois fico muito queixosa.
Por outro lado, sinto-me uma autêntica viciada em analgésicos. E irrita pensar que, mesmo tendo cuidado com a alimentação e as horas de sono, possa ter uma crise a qualquer altura.
Desculpem o desabafo, mas estava a precisar e esta até pode ser uma maneira de perceberem melhor o meu estado de espírito nestas alturas.
E parece que tenho mesmo de comer menos chocolate, só faltava mais essa.
A enxaqueca (I): explicação científica
Aqui fica uma explicação cientifica que antecede um post que estou a escrever e que se prevê muito queixoso:
A enxaqueca é uma doença crónica neurológica caracterizada por episódios dolorosos e debilitantes de cefaleia. As crises interferem com as actividades pessoais e profissionais dos indivíduos atingidos. Estes são obrigados a viver uma vida com restrições, preocupando-se em manter uma alimentação regular e adequada, evitando os factores conhecidos que despoletam as crises de enxaqueca, como a privação de sono, o stress, ruídos fortes, luzes brilhantes, álcool, chocolate, vinho tinto e algumas variedades de queijo.
Também têm de viver com a incerteza de quando ocorrerá a crise seguinte e qual será a gravidade da mesma. Durante uma crise grave de enxaqueca, a incapacidade de um doente é comparável à de um tetraplégico.
A enxaqueca tem uma prevalência desproporcional nas mulheres, estando relacionada com as alterações hormonais associadas aos ciclos menstruais.
A crise em si caracteriza-se por uma cefaleia intensa, náuseas e vómitos, intolerância à luz e ao ruído. Podem ser influenciadas tanto por factores genéticos como ambientais.
Em aproximadamente 60% dos doentes surgem sintomas premonitórios, incluindo alterações de humor, no comportamento, no apetite e no nível de energia, hipersensibilidade, apatia, dificuldade de concentração e rigidez no pescoço.
20% dos doentes têm enxaquecas com aura, caracterizada por sintomas neurológicos: fenómenos visuais, sensoriais ou motores; dormência ao longo de um lado da face, mão ou braço.
A cefaleia típica da enxaqueca é unilateral e excruciante e qualquer actividade física rotineira ou simples movimento de cabeça podem agravar a dor.
A enxaqueca é uma doença crónica neurológica caracterizada por episódios dolorosos e debilitantes de cefaleia. As crises interferem com as actividades pessoais e profissionais dos indivíduos atingidos. Estes são obrigados a viver uma vida com restrições, preocupando-se em manter uma alimentação regular e adequada, evitando os factores conhecidos que despoletam as crises de enxaqueca, como a privação de sono, o stress, ruídos fortes, luzes brilhantes, álcool, chocolate, vinho tinto e algumas variedades de queijo.
Também têm de viver com a incerteza de quando ocorrerá a crise seguinte e qual será a gravidade da mesma. Durante uma crise grave de enxaqueca, a incapacidade de um doente é comparável à de um tetraplégico.
A enxaqueca tem uma prevalência desproporcional nas mulheres, estando relacionada com as alterações hormonais associadas aos ciclos menstruais.
A crise em si caracteriza-se por uma cefaleia intensa, náuseas e vómitos, intolerância à luz e ao ruído. Podem ser influenciadas tanto por factores genéticos como ambientais.
Em aproximadamente 60% dos doentes surgem sintomas premonitórios, incluindo alterações de humor, no comportamento, no apetite e no nível de energia, hipersensibilidade, apatia, dificuldade de concentração e rigidez no pescoço.
20% dos doentes têm enxaquecas com aura, caracterizada por sintomas neurológicos: fenómenos visuais, sensoriais ou motores; dormência ao longo de um lado da face, mão ou braço.
A cefaleia típica da enxaqueca é unilateral e excruciante e qualquer actividade física rotineira ou simples movimento de cabeça podem agravar a dor.
quarta-feira, 21 de novembro de 2007
A viagem
Ontem fui para casa de comboio. Tinha o habitual livro comigo mas li pouco. Li pouco porque estive entretida a observar as pessoas. Estava uma daquelas tardes frias, escuras e ventosas, muito propensas à nostalgia.
À minha frente ainda na estação estava um senhor cego, ou quase cego porque se notava que ainda via um pouco e usava óculos com lentes graduadas. Estava com dificuldade para entrar no comboio e uma senhora ajudou-o e sentou-o no lugar que um outro passageiro cedeu.
Toda a gente foi muito educada mas ao mesmo tempo aquilo foi um pequeno espectáculo porque estávamos todos (sim, eu também) a seguir atentamente o episódio.
Não sei o que levou as outras pessoas a olhar mas sei o que me chamou a atenção a mim. Não foi o facto de ele ser cego. Se bem que isso tenha sido o catalizador. Se ele tivesse uma visão normal se calhar não reparava nele.
Aquele ser humano que estava à minha frente tinha um ar triste. Uma tristeza que parecia vir de dentro e contaminar tudo em volta. Ou, pelo menos, contaminar-me a mim.
O cabelo desalinhado, a barba por fazer, a roupa quente mas descuidada … tudo lhe dava um certo ar de abandono que me afectou bastante durante a viagem inteira. Era daquelas pessoas que parecem não esperar nada. E que não têm ninguém que espere por elas.
Talvez fosse eu. Talvez tenha romanceado demasiado e confundido tristeza pura com o cansaço de mais um dia de rotina. Afinal, também eu já andei de comboio com ar cansado e desleixado. Também eu já chorei em público no final de um dia mau.
Mas havia ali qualquer coisa que me tocou e quase me fez querer perguntar-lhe se, afinal, ele era feliz.
Não o fiz. Podia ser mal interpretada. Podia estar a ser intrometida. Estaria a quebrar uma série de regras criadas pela nossa sociedade. Não fui capaz de sair do meu mundo, do meu egocentrismo.
Peguei no meu livro e li.
E fiquei mais feliz e agradecida do que é costume por a minha mãe me ter ido buscar à estação.
À minha frente ainda na estação estava um senhor cego, ou quase cego porque se notava que ainda via um pouco e usava óculos com lentes graduadas. Estava com dificuldade para entrar no comboio e uma senhora ajudou-o e sentou-o no lugar que um outro passageiro cedeu.
Toda a gente foi muito educada mas ao mesmo tempo aquilo foi um pequeno espectáculo porque estávamos todos (sim, eu também) a seguir atentamente o episódio.
Não sei o que levou as outras pessoas a olhar mas sei o que me chamou a atenção a mim. Não foi o facto de ele ser cego. Se bem que isso tenha sido o catalizador. Se ele tivesse uma visão normal se calhar não reparava nele.
Aquele ser humano que estava à minha frente tinha um ar triste. Uma tristeza que parecia vir de dentro e contaminar tudo em volta. Ou, pelo menos, contaminar-me a mim.
O cabelo desalinhado, a barba por fazer, a roupa quente mas descuidada … tudo lhe dava um certo ar de abandono que me afectou bastante durante a viagem inteira. Era daquelas pessoas que parecem não esperar nada. E que não têm ninguém que espere por elas.
Talvez fosse eu. Talvez tenha romanceado demasiado e confundido tristeza pura com o cansaço de mais um dia de rotina. Afinal, também eu já andei de comboio com ar cansado e desleixado. Também eu já chorei em público no final de um dia mau.
Mas havia ali qualquer coisa que me tocou e quase me fez querer perguntar-lhe se, afinal, ele era feliz.
Não o fiz. Podia ser mal interpretada. Podia estar a ser intrometida. Estaria a quebrar uma série de regras criadas pela nossa sociedade. Não fui capaz de sair do meu mundo, do meu egocentrismo.
Peguei no meu livro e li.
E fiquei mais feliz e agradecida do que é costume por a minha mãe me ter ido buscar à estação.
quarta-feira, 14 de novembro de 2007
Jogo de influências
Na semana passada, o meu chefe informou-me de que se vai embora no final do mês. A partir de Dezembro, tenho um novo patrão.
A notícia não me deixou nada contente. Desde o início que mantenho uma relação bastante saudável com ele. Sempre respeitou as minhas ideias, é uma pessoa bastante organizada e democrática. Não me controla excessivamente nem me trata como uma subalterna.
É claro que, numa fase inicial, as coisas tendem a correr melhor. Depois, com as dificuldades do dia-a-dia, surgem os primeiros conflitos. Mas, ainda assim, penso que nos iríamos entender.
E ter um bom chefe contribui, sem dúvida, para a motivação de um funcionário. Ainda mais se o trabalho em si não for motivador (que é o meu caso).
Ao informar-me da sua partida, referiu também o quanto gostou de trabalhar comigo durante este mês. Sugeriu até que gostava que eu fosse com ele. Ele vai trabalhar para Santarém e, para mim, pelo menos neste momento, está praticamente fora de questão.
Agora, sinto que tem cometido um grande erro ao longo destes dias. Frequentemente, fala-me da pessoa que o vai substituir, de forma não propriamente abonatória.
Secretamente, desejo que todos os defeitos que ele aponta ao meu futuro chefe estejam a ser exacerbados pela competitividade, pelas diferenças de carácter e pela vontade que ele tem de que eu vá trabalhar com ele.
No entanto, na prática, tem sido prejudicial. Ao criticar a pessoa que aí vem, está a deixar-me num estado de grande preocupação e ansiedade.
Por outro lado, apesar de tentar resistir, começo a sentir a minha opinião sobre uma pessoa que nem conheço a ser influenciada.
Por mais que tente, tenho a certeza de que já não irei olhar para o novo chefe de forma imparcial. E isto a junta-se à resistência à mudança, que penso ser inerente à maioria dos seres humanos (A mudança pode ser tentadora mas é, quase sempre, assustadora também).
Nunca gostei que me procurassem influenciar sobre determinada pessoa, e evito sempre fazê-lo. Pode dar mau resultado para todos os lados, incluindo para a pessoa que procura influenciar. Sobretudo se a opinião é dada sem que eu a tenha pedido.
No meio de todo este jogo, é bom saber que a qualidade do meu trabalho é apreciada, sobretudo numa área que não me agrada e que não me dá o mínimo prazer.
Sou elogiada por chefes, encenadores, editores e professores, o que me tem vindo a dar uma confiança que nunca nasceu dentro de mim de forma espontânea.
Ironicamente, recuso ser influenciada sobre terceiros, mas a opinião de outras pessoas influencia sempre a forma como me vejo a mim mesma.
Às vezes pergunto-me porque necessito dessa validação externa para acreditar em mim mesma.
A notícia não me deixou nada contente. Desde o início que mantenho uma relação bastante saudável com ele. Sempre respeitou as minhas ideias, é uma pessoa bastante organizada e democrática. Não me controla excessivamente nem me trata como uma subalterna.
É claro que, numa fase inicial, as coisas tendem a correr melhor. Depois, com as dificuldades do dia-a-dia, surgem os primeiros conflitos. Mas, ainda assim, penso que nos iríamos entender.
E ter um bom chefe contribui, sem dúvida, para a motivação de um funcionário. Ainda mais se o trabalho em si não for motivador (que é o meu caso).
Ao informar-me da sua partida, referiu também o quanto gostou de trabalhar comigo durante este mês. Sugeriu até que gostava que eu fosse com ele. Ele vai trabalhar para Santarém e, para mim, pelo menos neste momento, está praticamente fora de questão.
Agora, sinto que tem cometido um grande erro ao longo destes dias. Frequentemente, fala-me da pessoa que o vai substituir, de forma não propriamente abonatória.
Secretamente, desejo que todos os defeitos que ele aponta ao meu futuro chefe estejam a ser exacerbados pela competitividade, pelas diferenças de carácter e pela vontade que ele tem de que eu vá trabalhar com ele.
No entanto, na prática, tem sido prejudicial. Ao criticar a pessoa que aí vem, está a deixar-me num estado de grande preocupação e ansiedade.
Por outro lado, apesar de tentar resistir, começo a sentir a minha opinião sobre uma pessoa que nem conheço a ser influenciada.
Por mais que tente, tenho a certeza de que já não irei olhar para o novo chefe de forma imparcial. E isto a junta-se à resistência à mudança, que penso ser inerente à maioria dos seres humanos (A mudança pode ser tentadora mas é, quase sempre, assustadora também).
Nunca gostei que me procurassem influenciar sobre determinada pessoa, e evito sempre fazê-lo. Pode dar mau resultado para todos os lados, incluindo para a pessoa que procura influenciar. Sobretudo se a opinião é dada sem que eu a tenha pedido.
No meio de todo este jogo, é bom saber que a qualidade do meu trabalho é apreciada, sobretudo numa área que não me agrada e que não me dá o mínimo prazer.
Sou elogiada por chefes, encenadores, editores e professores, o que me tem vindo a dar uma confiança que nunca nasceu dentro de mim de forma espontânea.
Ironicamente, recuso ser influenciada sobre terceiros, mas a opinião de outras pessoas influencia sempre a forma como me vejo a mim mesma.
Às vezes pergunto-me porque necessito dessa validação externa para acreditar em mim mesma.
quinta-feira, 8 de novembro de 2007
"O Gato Preto e Outros Fantasmas" - Fotos
Desta peça tenho ainda muito poucas fotos e, além disso, estão muito escuras (mas acho que é de proposito).
Não foi a personagem que me deu mais prazer a fazer, tenho de confessar, mas gostei de trabalhar com um encenador e grupo diferentes do que estava habituada para ver como era trabalhar "fora de casa" . Foi enriquecedor. Além disso, apesar de ter uma base esverdeada e olheiras, pois fazia de empregada fantasma, acho que foi aquela em que estava mais favorecida :)

Finalmente, " O Gato Preto e Outros Fantasmas".
A peça estava com uma estrutura muito gira. Passava-se no palácio da quinta da subserra e o espectador seguia os actores nas diversas salas (tipo T de Lempicka, para quem viu, mas não havia divisão entre cenas, havia só uma linha de história).
Portanto, foi completamente diferente de uma peça de palco. aqui, eu estava num quarto pequeno, deitada numa cama, e as pessoas estavam muito próximas de mim. Isto implicou lidar muito de perto com o público, o que nem sempre era fácil. Chegaram mesmo a sentar-se na cama onde eu estava e a abrir portas que deviam estar fechadas.

Fizemos a peça em Junho (logo a seguir a ter feito a Mulher do Campo) e houve reposição em Setembro. E, claro, houve muitas peripécias.
Num dos espectáculos da reposição, quando me levanto, sinto o vestido e o soutien a cairem do lado direito. Tinha só o avental, branco e fino, por cima. Estou a representar (felizmente ainda sem fala) e a pensar... agora o que é que eu faço? Decidi agarrar no avental.
Durante a cena tinha de me calçar e pegar numa tijela. Para esse grupo de espectadores a Amélia devia ter um problema qualquer porque fiz isto tudo com a mão direita ao peito :)

Tinhamos também umas larvas que era suposto eu andar a carregar e que acabei por nao conseguir. Elas estavam numa tigela em cima da mesa da cozinha e era suposto sairem do frigorifico, meio adormecidas, apenas minutos antes da peça começar.
Na estreia da reposição tirámo-las cedo demais e estavam bem vivinhas. Ora, eu estava a fazer nesse dia a peça sem lentes de contacto (e não podia ter óculos, claro), e quando fui à cozinha só ouvia "crack" "crack".
A minha colega contou-me depois que eram larvas por toooooodoo o lado e o público também teve de se desviar para não as pisar.
Não foi a personagem que me deu mais prazer a fazer, tenho de confessar, mas gostei de trabalhar com um encenador e grupo diferentes do que estava habituada para ver como era trabalhar "fora de casa" . Foi enriquecedor. Além disso, apesar de ter uma base esverdeada e olheiras, pois fazia de empregada fantasma, acho que foi aquela em que estava mais favorecida :)

Finalmente, " O Gato Preto e Outros Fantasmas".
A peça estava com uma estrutura muito gira. Passava-se no palácio da quinta da subserra e o espectador seguia os actores nas diversas salas (tipo T de Lempicka, para quem viu, mas não havia divisão entre cenas, havia só uma linha de história).
Portanto, foi completamente diferente de uma peça de palco. aqui, eu estava num quarto pequeno, deitada numa cama, e as pessoas estavam muito próximas de mim. Isto implicou lidar muito de perto com o público, o que nem sempre era fácil. Chegaram mesmo a sentar-se na cama onde eu estava e a abrir portas que deviam estar fechadas.

Fizemos a peça em Junho (logo a seguir a ter feito a Mulher do Campo) e houve reposição em Setembro. E, claro, houve muitas peripécias.
Num dos espectáculos da reposição, quando me levanto, sinto o vestido e o soutien a cairem do lado direito. Tinha só o avental, branco e fino, por cima. Estou a representar (felizmente ainda sem fala) e a pensar... agora o que é que eu faço? Decidi agarrar no avental.
Durante a cena tinha de me calçar e pegar numa tijela. Para esse grupo de espectadores a Amélia devia ter um problema qualquer porque fiz isto tudo com a mão direita ao peito :)

Tinhamos também umas larvas que era suposto eu andar a carregar e que acabei por nao conseguir. Elas estavam numa tigela em cima da mesa da cozinha e era suposto sairem do frigorifico, meio adormecidas, apenas minutos antes da peça começar.
Na estreia da reposição tirámo-las cedo demais e estavam bem vivinhas. Ora, eu estava a fazer nesse dia a peça sem lentes de contacto (e não podia ter óculos, claro), e quando fui à cozinha só ouvia "crack" "crack".
A minha colega contou-me depois que eram larvas por toooooodoo o lado e o público também teve de se desviar para não as pisar.
"A Mulher do Campo" - Fotos

"A Mulher do Campo" foi, sem dúvida, a peça que mais gostei de fazer até hoje. Fazia o papel, precisamente, de mulher do campo: uma totó inocente que vem das palhotas directamente para Londres. Casou-se com um homem que teme, acima de tudo, ser traído.
É então que conhece o garanhão da cidade e a coisa torna-se uma grande confusão.
Primeiro ponho algumas fotos de ensaios. Para vos mostrar que é, de facto, muito cansativo, mostro-vos a minha fronha (em obras), num ensaio que foi uns dois dias antes da estreia:

Os ensaios eram sobretudo espaço de muito stress e discussão :) Na segunda foto, estamos já no final do ensaio, claramente a levar na cabeça. Reparem como eu discretamente baixo a cabeça e arranjo o corpete, como se não fosse nada comigo.
Na primeira, estava as voltas com o colar de pérolas, enquanto a carla, sem cabeleira, parecia um Mimo.


Não consigo publicar as fotos desta peça sem rir até às lagrimas. Falei em Mimo... De facto, no intervalo dos ensaios, quando aquilo estava a correr mesmo mal, era quase cómico ver a nossa figura ridicula. Pareciamos 13 ou 14 mimos zangados e preocupados.
Eu e o meu "marido" tinhamos uma relação engraçada. Num minuto gritávamos um com o outro, no outro ríamos e elogiávamo-nos. Ele teve alguma dificuldade em decorar o texto porque andava a trabalhar que nem um cão e às vezes era uma aventura conseguir que a cena continuasse, mas acho que em termos de interpretação foi dos melhores. Adorei trabalhar com ele, sempre me defendeu e foi um bom apoio.


A segunda foto mostra um dos momentos mais humilhantes da peça no que me dizia respeito. lol. é uma altura em que, para que eu possa sair à rua, o meu marido me tenta mascarar de rapaz. Mas não resulta e o Garanhão vem fazer a corte.
Aqui implicava estar com um fato verde que parecia de um duende e um chapeu que me fazia parecer o capitão gancho. Era também uma cena complicada porque estava muito calor e aqui estava rodeada de três rapazes a mandarem piropos por isso tinha de estar muito entusiasmada. De todas as vezes me senti bastante tonta e o meu maior medo era dar-me qualquer coisa em plena cena. Mas sobrevivi.


Nesta peça tinha de mudar de roupa várias vezes, duas das quais com muita urgência. Tinha dois ou três colegas preparados com tudo e lá andava eu a voar de calças e saia na mão. No teatro é preciso ter duas coisas essenciais: espirito de entre-ajuda e pouca vergonha.
Outra coisa gira é que a minha mãe me receitou uns calmantes leves para tomar antes das cenas. Aquilo acalma sobretudo o ritmo cardiaco e o tremor. Ao fim do primeiro dia já tinha dois ou tres colegas "agarrados" ao produto.


Era uma peça longa que sempre exigiu muito de nós (e do público hehe). As coisas nos ensaios chegaram a azedar mas depois correu tudo bem.
Pessoalmente, sinto que aprendi muito. Tinha um dos papéis principais e vários monologos (que, para mim,é o pior. prefiro ter sempre um colega em cena.
Foi feita com suor e sangue (quase literalmente porque o meu "marido" ameaçava-me com uma faca e foram várias as cenas em que vi aquilo aproximar-se perigosamente do meu olho).
Mas foi uma altura muito, muito especial :)
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